
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento infantil caracterizado por três sintomas primários: dificuldade de manter a atenção de forma consistente e prolongada, comportamento impulsivo e hiperatividade (inquietude). Ele também é chamado às vezes de DDA (distúrbio do déficit de atenção). Nos EUA, o TDAH afeta cerca de 3 a 7% das crianças, com uma proporção entre meninos e meninas de aproximadamente 2/1. A taxa de prevalência do distúrbio é semelhante no mundo todo. Há três subtipos de TDAH:
(1) TDAH predominantemente desatento;
(2) TDAH predominantemente hiperativo-impulsivo;
(3) TDAH misto.
Pais de crianças com TDAH freqüentemente notam que seus filhos têm dificuldade consistente em:
De acordo com os critérios diagnósticos, os sintomas do TDAH são geralmente observados antes dos 7 anos, mas freqüentemente surgem por volta dos 3 anos de idade. Além disso, para ser diagnosticada com TDAH, a criança deve exibir os sintomas em dois ou mais ambientes, como 1) escola, 2) casa e 3) outros ambientes sociais.
Para ser diagnosticado com TDAH, os sintomas precisam representar prejuízos significativos na vida escolar, social e profissional do indivíduo. É muito comum para uma criança com TDAH vivenciar sérias dificuldades na escola, demonstrar sérios problemas de interação social, debater-se para completar tarefas ou o dever-de-casa e envolver-se em conflitos com os pais e outros adultos.
O TDAH não é resultado direto de outras desordens mentais, dificuldades de aprendizagem, distúrbios do desenvolvimento, ansiedade ou depressão, embora essas condições possam ocorrer junto com o TDAH, como comorbidades.
A estratégia de tratamento para o TDAH que possui o mais forte suporte das pesquisas científicas continua sendo o uso de medicações estimulantes. As medicações estimulantes mais comuns incluem Ritalina [metilfenidato], Concerta [metilfenidato], Adderall [anfetamina] e Dexedrina [anfetamina]. Elas são efetivas em aproximadamente 70-80% dos casos.
Vários estudos de caso recentes têm mostrado que o uso de medicamentos estimulantes pode provocar um aumento da gagueira. Conseqüentemente, medicações não-estimulantes, como Strattera [atomoxetina], vêm sendo testadas nos casos em que TDAH e gagueira coexistem. Os resultados sugerem que essas medicações não-estimulantes podem realmente reduzir a gagueira quando combinadas com terapia fonoaudiológica (Burd & Kebeshian, 1991; Lavid, Franklin, & McGuire,1999; Riley & Riley, 2000). Contudo, as medicações não-estimulantes não parecem ser tão efetivas quanto as estimulantes no tratamento dos sintomas primários do TDAH.
Pais e médicos devem lembrar que esses relatos são baseados em um pequeno número de casos, o que dificulta a obtenção de dados conclusivos sobre a gagueira e o uso de medicações estimulantes e não-estimulantes. Outros testes clínicos controlados precisam ser realizados considerando os efeitos de todas as medicações e a freqüência da gagueira. Recomenda-se que as famílias discutam esses achados com seus médicos e avaliem que opções podem ser melhores para cada caso.
Estima-se que 45% das crianças com TDAH tenham alguma forma de dificuldade cognitiva (Tirosh & Cohen, 1998). Os déficits mais comuns são: dificuldades de sociabilização, habilidade reduzida para a solução de problemas, problemas no processamento auditivo, habilidade limitada para extrair informação detalhada e fixar-se em assuntos específicos (Michon, 1999).
Muitos outros distúrbios ligados ao TDAH podem ter um efeito significativo na habilidade de organizar e formular idéias e pensamentos. Entre esses distúrbios, podem-se citar: transtorno de ansiedade, depressão maior e transtorno de conduta. É bem documentado o fato de que dificuldades de aprendizagem ocorrem em cerca de 60% das pessoas com TDAH. Portanto, qualquer abordagem deve considerar todos os sintomas, bem como o desempenho da criança na escola e em situações sociais.
Pouco se sabe sobre as características específicas da gagueira em crianças com TDAH além do fato de que os padrões das disfluências são consistentes com os de crianças que gaguejam e não têm TDAH.
Se a prevalência de TDAH em crianças em idade escolar é de 3-6%, qual seria a prevalência de TDAH em crianças que gaguejam? A literatura sugere que a prevalência de TDAH em crianças que gaguejam está em torno de 25%. Observações clínicas sugerem que impulsividade e desatenção, na ausência de um diagnóstico de TDAH, afetam negativamente o resultado do tratamento da gagueira. Portanto, médicos e fonoaudiólogos devem estar atentos tanto para os distúrbios diagnosticados quanto para os possíveis distúrbios não diagnosticados de impulsividade e déficit de atenção que possam influenciar o êxito da terapia.
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Título original: ADHD and Stuttering
Autores: Joseph Donaher, E. Charles Healey & Stephen Soffer
Fonte: Stuttering Foundation of America
Tradução adaptada: Hugo Silva. Revisão: Sandra Merlo.