
"Gaguejei terrivelmente dos 9 até os 17 anos. Não sei se eu era tímido - quer dizer, eu tinha amigos, fui eleito presidente do grêmio estudantil. Eu era popular, mas por dentro eu realmente estava arrasado por não conseguir me livrar da gagueira. E então aconteceu um milagre quando eu estava no colegial. Eu estava atuando em uma produção chamada "Um Ianque na Corte do Rei Artur". Quando eu entrei no palco, parei de gaguejar. Quando saí do palco, voltei a gaguejar novamente. Eu disse para mim mesmo: "É um milagre. Tenho que investigar isso". Eu não conseguia acreditar. Percebi que a gagueira melhorava porque eu estava representando. No palco, não sou mais o Bruce Willis. Eu continuo gaguejando, mas se eu conseguir fazê-lo rir, talvez você nem perceba".
Tradução adaptada da revista Reader's Digest e da revista Parade.
Charles Van Riper, aos 82 anos, escreveu:
"Eu gaguejei todos os dias da minha vida. Acho que tenho uma gagueira incurável. Todo mundo tem seu próprio demônio pessoal e o meu é a gagueira. Percebi que depois que entendi que a gagueira é um problema e aprendi a lidar com ela (sem evitá-la, escondê-la ou lutar contra ela), meu demônio deixou de me deter.
Tive uma gagueira grave com longos bloqueios acompanhados por contorções faciais e espasmos, que não apenas provocavam a rejeição de meus ouvintes, como também tornou minha comunicação quase impossível. Uma vez, quando pedi uma moça em namoro, a resposta foi: "Não estou tão desesperada assim". Eu me senti não apenas sem ajuda, mas também sem esperança. Me sentia nu em um mundo cheio de facas. Pensei em suicídio e tentei uma vez, mas falhei nisso também.
Se uma cartomante tivesse previsto que eu iria ter uma vida maravilhosa e recompensadora, eu teria rido na cara dela, amargamente. Mas, a despeito da minha gagueira, ou talvez até por causa da minha gagueira, eu tive essa vida maravilhosa e recompensadora. Posso olhar para trás com um sentimento de realização. Tive um trabalho fascinante, sendo pioneiro de uma nova profissão. Casei com uma mulher adorável, tive três filhos e nove netos; todos eles me deram o amor que eu ansiava, mas que nunca pensava que teria. Ganhei muito dinheiro com a venda dos livros que escrevi. Apareci no cinema, na TV e no rádio; proferi discursos para grandes platéias e ministrei palestras pelos Estados Unidos e em muitos outros países. Tive tudo o que eu quis e mais. Nesta minha idade avançada, posso dizer que estou satisfeito".
Fonte: The Stuttering Homepage.
"Ser da espécie Homo sapiens e não conseguir exercer a linguagem em toda a sua plenitude é, mais ou menos, como ser uma ave e não poder voar. Assista ao vídeo abaixo. Para o Kiwi*, o prazer do vôo (ainda que breve), assim como o prazer da fluência para quem gagueja, só pode ser obtido à base de muito sacrifício. E a recompensa é sempre elusiva e efêmera. Nunca me identifiquei tanto com uma ave..."
*"Kiwi!" é uma animação sobre um kiwi: um tipo de pássaro que não pode voar e que passa toda sua vida trabalhando para alcançar seu sonho. O kiwi esforçou-se para criar a ilusão de que estava voando sobre uma floresta enquanto caía do topo de um penhasco. O kiwi passou sua vida pregando árvores ao longo do penhasco. Tudo isso para realizar seu sonho de voar, mesmo sendo tecnicamente incapaz. Fonte: ISFAT.
"O meu problema foi, e continua a ser, o tartamudeio, a gagueira. Aqueles que gozam da sorte de uma palavra solta, de uma frase fluida, não podem imaginar o sofrimento dos outros, esses que no mesmo instante em que abrem a boca para falar já sabem que irão ser objeto da estranheza ou, pior ainda, do riso do interlocutor. Com a passagem do tempo acabei por criar, sem ajuda, pequenos truques de elocução, usar os bloqueios leves como pausas propositadas, perceber com antecipação a sílaba onde irei ter dificuldades e mudar a construção da frase, etc. Curiosamente, se tiver de falar para cinco mil pessoas estarei mais à vontade do que a falar com uma só. Salvo em situações de extremo cansaço nervoso, hoje sou capaz de controlar adequadamente o meu débito verbal. A gagueira, no meu caso, passou a ser uma pálida sombra do que foi na infância e na adolescência. Aprendi à minha própria custa".
O britânico Leys Geddes, membro da Associação Britânica de Gagueira, fornece um depoimento pessoal lúcido, íntegro e esclarecedor sobre o que é ter gagueira.
A escritora Nereide S. Santa Rosa relata em seu livro:
"[Machado de Assis] carregava consigo, lá no fundo do coração, suas mágoas. O preconceito sofrido por ser mulato, a epilepsia e, além disso, a gagueira.
Certa ocasião, conversava fluentemente com uma atriz famosa da épooca. Ao perceber a sua fluência, a atriz comentou:
"Tinham-me dito que o senhor era muito gago e, no entanto, vejo que fala muito bem!"
Machado se descontrolou e começou a gaguejar, respondendo:
"Calúnias... A mim também me avisaram de que a senhora era muito estúpida, e vejo que não é tanto!""
Fonte: Rosa, Nereide S. S. (1998). Machado de Assis. Callis Editora, p. 26.
"Eu sou gago até hoje. Entro na casa dos meus pais e fico completamente gago. Mas antigamente eu era gago mesmo, era mudo. Não era nem de ficar que-que-que, não saía nada. Foi uma coisa que eu tive por volta de 8 anos e até hoje não sei por quê. Mas imagina a cara do meu pai e da minha mãe quando eu disse que iria ser ator. Eu era péssimo aluno e gago. Eles me olharam e devem ter pensado: 'Tadinho'. Quando eles foram ver uma peça minha, era como se fosse mágica. Eles se emocionaram, porque eu não gaguejava nada no palco. Só fui melhorar quando, com uns 18 anos, eu fui para os Estados Unidos morar. Passei por muito aperto lá".
Fonte: Revista Quem Acontece.
Nasceu em 830 e morreu em 912. Foi um dos mais importantes poetas litúrgicos da Idade Média e inventou um estilo de oração declamatória cantada que foi precursor do canto gregoriano. Foi beatificado em 1512 por ter difundido o catolicismo, principalmente através da composição de poesias e músicas litúrgicas. Sua data comemorativa é 7 de abril. É considerado protetor das pessoas que gaguejam e dos músicos. O monge Ekkehard IV teria dito a respeito de Notker:
"Era fraco de corpo, mas não de mente. Gaguejou na fala, mas não no intelecto. Perseverou corajosamente nos propósitos de Deus, totalmente preenchido pelo Espírito Divino, sem precedentes para sua época".
Fontes: A Caring Christian Community in the Image of Christ e Wikipedia.
"Na sociedade em que vivemos, a padronização de personalidades e condutas é o que nos aproxima para vivermos em conjunto. Deste modo, o que interessa alguém que não consegue pedir um café na padaria sem tropeçar em sílabas? O que se dirá do indivíduo que não consegue expressar suas vontades, vender sua força de trabalho durante uma entrevista, conversar com uma pessoa estranha que lhe pareça atraente? Somos desolados, excluídos, expulsos por não sermos iguais na maneira de comunicar. Nossa doença é tratada como algo menor, de pessoas menores. Nossos semelhantes são representados na imprensa como quase palhaços, colocando aqueles que sofrem deste mal como se fossem pessoas inseguras e despreparadas para atuarem na vida. Nunca vi ninguém fazer piada em uma novela com um paraplégico ou com alguém que falte qualquer dos membros. Já me acostumei com as pessoas rindo em minhas costas. Já não é surpresa ver pessoas com menos preparo se destacarem profissionalmente, mesmo eu tendo os melhores resultados, o melhor preparo, a melhor formação. Sei que terei que carregar a gagueira para o resto de minha vida, porque minha doença não faz chorar pelo horror de seus sintomas, mas faz rir pelo ridículo que sua dor provoca".