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RESPEITO A QUEM GAGUEJA

 

                Esse foi o tema escolhido pelo Instituto Brasileiro de Fluência-IBF para o DIAG 2017.

       Parece estranho que em pleno 2017, as pessoas que gaguejam ainda sofram discriminação por serem como são. Então, para lembrar a todos os interessados, no art. 3º, IV da Constituição Federal, a discriminação é expressamente proibida.  Neste artigo consta que se deve “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Proíbe-se, também, a diferença de salário, de exercício de fundações e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor, estado civil ou posse de deficiência (art. 7º, XXX e XXXI).”

                A Constituição de 1988 definiu as medidas proibitivas para práticas discriminatórias no país. Para fins específicos das pessoas com distúrbios de fluência como a gagueira, valem as mesmas medidas proibitivas. As práticas discriminatórias contra as pessoas com gagueira ou com outros distúrbios de fluência são comuns no ambiente escolar, familiar, social e profissional.

 

            A evolução humana é lentíssima.

            Milhares de anos se passaram para que o ser humano efetivamente abandonasse sua caverna e se aventurasse em interações com o ambiente que o modificaram de modo inacreditável: o ser humano alterou o ambiente e foi por ele alterado. 

            Sabemos das inúmeras evoluções ocorridas desde nossos mais primitivos ancestrais, tanto físicas como comportamentais. Esse processo parece não ter fim. Cada vez mais buscamos ser senhores do rumo que desejamos dar ao mundo em que vivemos.

            Nossa era, mesmo com todos seus horrores e mazelas, é promissora. É uma era em que se busca defender o direito à diferença. Se esta defesa se iniciou timidamente com a luta pelos direitos dos negros e das mulheres, logo avançou para as diversas opções sexuais e religiosas e para as inúmeras alterações físicas e intelectuais. Sim, nenhuma destas questões está encerrada, nenhuma destas batalhas já pode ser considerada vencida, mas incontáveis confrontos já permitiram algumas conquistas, impensáveis poucos anos atrás.

            Desde 2006, o Instituto Brasileiro de Fluência – IBF veio engrossar esta fileira de pessoas que luta por uma causa, que busca que o espaço das chamadas “minorias” seja respeitado.

            Nós clamamos pelos que gaguejam, indivíduos tão pouco entendidos pelos leigos: sua fala truncada é erroneamente interpretada como insegurança, confusão e até incapacidade intelectual ou ainda – pasmem! – sinal de que a pessoa estaria mentindo, por isso gagueja...

            Neste 22 de outubro, que há 19 anos é comemorado como o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, vamos nos propor aprender a ouvir quem gagueja, vamos respeitar esse valoroso indivíduo que enfrenta tudo o que enfrentamos no dia-a-dia - e que não é pouco -, mas além disso enfrenta um mundo de pessoas que o olha estranhamente cada vez que ele abre a boca para falar, que sofre intimidações e ouve risinhos debochados.

            Queremos que fique claro o que os estudiosos e pesquisadores já definiram sem sombra de dúvida: gagueira é consequência de sutilíssimas diferenças neurológicas. Tão sutis, que só puderam ser encontradas quando o progresso dos exames de imagens cerebrais atingiu seu ápice, duas décadas atrás. Tão sutis que só alteram levemente o ritmo da fala dessas pessoas, preservando sua estrutura formal, coerência e sentido. Todas as demais características pessoais estão preservadas, na mesma medida em que estão preservadas nos indivíduos em geral, os denominados fluentes.

            Vamos dar mais um passo em direção à nossa humanidade verdadeira, conhecendo melhor o que é gagueira, entendendo o que se passa atrás de uma fala que se repete ou que é estancada de repente?

            OUÇA! RESPEITE! VALORIZE!

 

Eliana Maria Nigro Rocha, Diretora Clínica do IBF

Anelise Junqueira Bohnen, Presidente do IBF

São Paulo

   
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