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Mensagem do fonoaudiólogo português Gonçalo Leal para o DIAG 2012.

 

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Gonçalo-Leal-Fono-Portugal-Quote-02Lisboa, Portugal, 22 de outubro de 2012


Olá a todos. Meu nome é Gonçalo Leal. Sou terapeuta da fala do projeto “Terapia da Gaguez” aqui em Portugual, fonoaudiólogo como se diz no Brasil, e hoje estou aqui para partilhar convosco algumas ideias no âmbito deste Dia Mundial da Gaguez, 22 de outubro, acerca desta perturbação que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Não poderia deixar de começar por falar em termos de intervenção precoce, uma intervenção mais na criança, não só porque é uma intervenção com maior taxa de sucesso, mas também porque é aquela que suscita ainda muitas dúvidas e muita confusão. Quando procurar ajuda? Devo procurar ajuda? São algumas das perguntas que muitos, muitos pais se colocam e tentam pesquisar na Internet, junto dos seus pediatras, e muitas vezes não têm uma resposta que os satisfaça.

A informação que eu considero essencial que os pais tenham acesso e que sintam e percebam é que não há nada que tenham feito que tenha causado a gaguez. Ou seja, nenhum pai, nenhum familiar tem culpa por seu filho gaguejar. Contudo, há muitas coisas que podem fazer que poderão certamente ajudá-lo a se tornar mais fluente e, acima de tudo, mais feliz.

Durante muitos anos, pensávamos que a gaguez teria uma causa psicológica, uma causa emocional. Hoje sabemos que a questão psicológica do problema está sobretudo relacionada com a convivência diária com a gaguez, com as barreiras que ela coloca e com o impacto que a gaguez acaba por ter na construção da própria identidade da pessoa. Se pensarmos, por exemplo, no adolescente, se pensarmos em termos de carreira, “o que eu vou ser?”, “vou ter que me comunicar, vou ter que falar em público”. Aí sim, efetivamente pode sentir uma grande repercussão.

Neste sentido, a gaguez acaba por ter um impacto muito significativo, naturalmente variando de pessoa para pessoa mediante suas experiências, em termos de qualidade de vida (vida social, fazer novos amigos, aproximar-se de pessoas), em termos escolares (participação na aula, leitura, apresentar trabalhos na escola, escolher a profissão),
também em termos profissionais... A gaguez acaba por ter um impacto que se pode alastrar em todas as áreas da
vida de uma pessoa. Portanto, ela aqui acaba por ter um impacto psicológico que pode ser significativo.

Gonçalo-Leal-Fono-Portugal-Quote-03Normalmente as pessoas questionam-se em relação a que tipos de tratamento existem para a gaguez. São eficazes ou não são eficazes? De uma forma geral, há dois aspectos que são tidos em conta em qualquer tipo de intervenção. Uma base mais física do problema (a forma como a pessoa gagueja, o número de interrupções que tem no discurso, as repetições, uma análise dos bloqueios, prolongamentos, comportamentos que acompanham o ato de gaguejar), mas também uma base mais funcional, ou seja, o que a pessoa não consegue fazer ou não se sente confortável em fazer. Portanto, em termos de tratamento, a abordagem é única, individual, onde são tidas em conta as dificuldades da pessoa que gagueja.

Por existirem várias formas de tratamento para a gaguez, é muito importante as pessoas que gaguejam ou os pais se informarem dos vários tratamentos que existem, de forma a poderem questionar o profissional que os acompanha, já que temos vários métodos terapêuticos, temos muita investigação a ocorrer em termos de tratamento farmacológico, temos também dispositivos eletrônicos. Portanto, há muitas alternativas de tratamento, que podem inclusive ser utilizadas em simultâneo, e é importante os pais questionarem, os pais e as pessoas que gaguejam questionarem o profissional que os acompanha para procurar qual o método mais válido.

Não queria deixar de aproveitar esta oportunidade para me dirigir também aos meus colegas terapeutas da fala e fonoaudiólogos, nomeadamente aos que têm gosto e aos que trabalham já nesta área das perturbações da fluência, especificamente na gaguez. Como todos sabem, todos os meses surgem atualizações em termos científicos – seja na área da genética, da neurologia, da linguística, da psicologia e da terapia também –, atualizações fundamentais para uma prática com base na evidência de qualidade e também essenciais para o reconhecimento da eficácia do tratamento da gaguez e da felicidade das pessoas que nós acompanhamos. Portanto, fica aqui também o meu apelo para que o nosso trabalho seja cada vez mais eficaz e também reconhecido.

Quero me despedir dirigindo-me aos colegas do Instituto Brasileiro de Fluência, quero vos dar os parabéns pelo trabalho fantástico que vocês têm vindo a fazer, que tem ajudado milhares de pessoas, não só no Brasil, mas em todos os países onde se fala a língua portuguesa, vocês são uma referência para toda a comunidade, e é com grande orgulho que eu colaboro convosco. Quero me despedir, portanto, desejando um excelente Dia Mundial da Gaguez e uma continuação de um bom trabalho.

   
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