Depoimentos > R. F.

Investigador de Polícia

 

Na sociedade em que vivemos, a padronização de personalidades e condutas é o que nos aproxima para vivermos em conjunto. Deste modo, o que interessa alguém que não consegue pedir um café na padaria sem tropeçar em sílabas? O que se dirá do indivíduo que não consegue expressar suas vontades, vender sua força de trabalho durante uma entrevista, conversar com uma pessoa estranha que lhe pareça atraente? Somos desolados, excluídos, expulsos por não sermos iguais na maneira de comunicar. Nossa doença é tratada como algo menor, de pessoas menores. Nossos semelhantes são representados na imprensa como quase palhaços, colocando aqueles que sofrem deste mal como se fossem pessoas inseguras e despreparadas para atuarem na vida. Nunca vi ninguém fazer piada em uma novela com um paraplégico ou com alguém que falte qualquer dos membros. Já me acostumei com as pessoas rindo em minhas costas. Já não é surpresa ver pessoas com menos preparo se destacarem profissionalmente, mesmo eu tendo os melhores resultados, o melhor preparo, a melhor formação. Sei que terei que carregar a gagueira para o resto de minha vida, porque minha doença não faz chorar pelo horror de seus sintomas, mas faz rir pelo ridículo que sua dor provoca.

   
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R. F. - Depoimentos - Instituto Brasileiro de Fluência - IBF. Gagueira levada a sério