
PROSÓDIA DA FALATítulo: Da sintaxe para a duração acústica: um modelo dinâmico da produção do ritmo da fala
Periódico: Speech Communication 49 (9), 2007, p. 725-42
Autor: Barbosa PA
Filiação: Grupo de Estudos de Prosódia da Fala e Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Brasil
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Resumo: Este artigo apresenta um modelo de produção do ritmo da fala capaz de gerar a duração acústica segmental a partir de diversos níveis de acoplamento dinâmico entre o subsistema lingüístico e subsistema de produção da fala. Um algoritmo probabilístico para a implementação do acento frasal é responsável pelas proeminências e pelas relações prosódicas entre constituintes ao considerar o acoplamento entre um sistema de marcadores dependentes da gramática e as restrições do tamanho do constituinte. O algoritmo simula a variabilidade prosódica intra- e inter-locutor. Tendo como entrada a posição e a magnitude do acento frasal e um conjunto de parâmetros dinâmicos de controle, o modelo age em três domínios temporais para determinar a duração segmental em português brasileiro. Os padrões modelados das duração de vogal a vogal (VV) reproduzem os padrões encontrados na superfície sob diversas condições de perturbação. A natureza e as vantagens do modelo dinâmico de produção do ritmo da fala para a simulação de dados naturais são amplamente discutidas.
GENÉTICATítulo: Etiologia genética em casos de gagueira recuperada e persistente em uma amostra longitudinal não-selecionada de gêmeos
Periódico: American Journal of Speech and Language Pathology 16 (2), 2007, p. 169-78
Autores: Dworzynski K, Remington A, Rijsdijk F, Howell P, Plomin R
Filiação: Departmento de Psicologia, King's College London, Grã-Bretanha
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Resumo: Objetivo: A contribuição de fatores genéticos para a persistência e para a recuperação precoce da gagueira foi avaliada. Método: Dados do Estudo do Desenvolvimento Inicial de Gêmeos foram utilizados. Relatos dos pais foram coletados aos 2, 3, 4 e 7 anos, os quais foram utilizados para classificar as crianças em dois grupos (gagueira recuperada ou persistente). Das 12.892 crianças com pelo menos 2 relatos, 1.085 tiveram registro de gagueira, sendo que 950 melhoraram e 135 continuaram a gaguejar. Resultados: A análise de regressão mostrou que o relato aos 2 anos não era preditivo de gagueira mais tarde, enquanto que o relato aos 3 e aos 4 anos era. As taxas de concordância foram consistentemente mais altas entre gêmeos monozigóticos do que entre dizigóticos (excetuando-se as meninas aos 3 anos). Aos 3, 4 e 7 anos, a vulnerabilidade para a gagueira era altamente hereditária (estimativas de h2 entre 0.58 e 0.66). A hereditariedade para a recuperação e a persistência da gagueira também foi alta, mas não houve diferença significativa entre uma e outra. Conclusão: A gagueira é um distúrbio com alto grau de hereditariedade e com baixa influência ambiental no início da infância e também nos grupos de crianças com gagueira recuperada e persistente aos 7 anos. As implicações clínicas dos achados são discutidas.
NEUROANATOMOFISIOLOGIATítulo: Anormalidades funcionais e estruturais do sistema motor na gagueira do desenvolvimento
Periódico: Brain 131 (1), 2008, p. 50-59
Autores: Watkins KE, Smith SM, Davis S, Howell P
Filiação: Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, Centro FMRIB do Departmento de Clínica Neurológica da Universidade de Oxford e Departmento de Psicologia da Londres Universidade, Grã-Bretanha
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Resumo: Embora a manifestação da gagueira envolva principalmente características motoras, a causa da gagueira pode não estar relacionada exclusivamente a deficiências no sistema motor, já que a freqüência da gagueira aumenta sob a influência de determinados fatores lingüísticos, como a complexidade sintática e o tamanho do enunciado, e diminui sob a influência de mudanças na percepção, como o mascaramento auditivo e o feedback auditivo alterado. Usando neuroimagem funcional e anatômica (ressonância magnética funcional - fMRI - e ressonância magnética por difusão - diffusion MRI -, respectivamente), examinamos a estrutura e a função cerebral nas áreas motoras e da linguagem em um grupo de jovens com gagueira, com idades variando de 14 a 27 anos. Durante a produção de fala, independentemente do nível de fluência ou do uso de feedback auditivo, as pessoas com gagueira mostraram uma hiperatividade em relação aos indivíduos do grupo controle na ínsula anterior, no cerebelo e no mesencéfalo bilateralmente, e hipoatividade nas seguintes áreas do córtex: córtex sensoriomotor, córtex pré-motor ventral e opérculo rolândico (bilateralmente), e giro de Heschl (no hemisfério esquerdo). Esses resultados são consistentes com uma recente meta-análise de estudos de neuroimagem funcional na gagueira do desenvolvimento. Houve duas novas descobertas que emergiram a partir de nosso estudo. Primeiro, encontramos hiperatividade no mesencéfalo. Esta hiperatividade afetava a substância negra e estendia-se para o núcleo pedúnculo-pontino, núcleo rubro e núcleo subtalâmico. Este dado é consistente com as sugestões de estudos anteriores da presença de uma função anormal dos núcleos da base ou excesso de dopamina em pessoas que gaguejam. Segundo, encontramos hipoatividade nas áreas motoras e pré-motoras associadas com a articulação e com a produção da fala. A análise dos dados de neuroimagem por difusão revelaram que a integridade da substância branca subjacente às áreas hipoativas no córtex pré-motor ventral estava reduzida nas pessoas que gaguejam. Os tratos de substância branca nesta área, através de suas conexões com o córtex temporal súpero-posterior e o córtex parietal inferior, fornecem um substrato para a integração do planejamento articulatório e do feedback sensorial e, através de suas conexões com o córtex motor primário, um substrato para a execução de movimentos articulatórios. Nossos dados dão suporte à conclusão de que a gagueira é uma desordem relacionada primariamente a uma ruptura nos sistemas neurais corticais e subcorticais que sustentam a seleção, iniciação e execução das seqüências motoras necessárias para a produção de uma fala fluente.
Título: Diferenças anatômicas no cérebro de crianças que gaguejam
Periódico: Neuroimage 39 (3), 2007, p. 1333-44
Autores: Chang SE, Erickson KI, Ambrose NG, Hasegawa-Johnson MA, Ludlow CL
Filiação: Seção de Laringe e Fala, Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e de AVC, Institutos Nacionais de Saúde, Bethesda, EUA
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Resumo: A gagueira é uma desordem do desenvolvimento que ocorre em 5% das crianças. Dessas, aproximadamente 70% têm remissão espontânea. Estudos anteriores de neuroimagem em adultos com gagueira persistente encontraram deficiências na substância branca no hemisfério esquerdo e ausência das assimetrias normalmente presentes entre os hemisférios esquerdo e direito, em relação a indivíduos fluentes. Neste estudo, levantamos a hipótese de que diferenças semelhantes poderiam estar presentes ainda na infância, indicando diferenças no desenvolvimento do cérebro de crianças com risco de gagueira. Um exame morfométrico (optimized voxel-based morphometry) comparou o volume da substância cinzenta (VSC), e outro exame de neuroimagem (diffusion tensor imaging) mediu a anisotropia fracional (AF) nos tratos de substância branca em 3 grupos: 1) crianças com gagueira persistente, 2) crianças que se recuperaram da gagueira e 3) crianças fluentes. Tanto o grupo com gagueira persistente quanto o grupo que se recuperou da gagueira tinham, em relação às crianças fluentes, um VSC reduzido em regiões relevantes à fala: giro frontal inferior esquerdo e regiões temporais bilaterais. Uma AF reduzida foi encontrada nos tratos de substância branca subjacentes às regiões motoras do córtex relacionadas à face e à laringe no grupo de crianças com gagueira persistente. Ao contrário das descobertas anteriores em adultos com gagueira, nenhum aumento nas regiões de fala do hemisfério direito foi encontrado em crianças recuperadas ou com gagueira persistente e também nenhuma diferença nos padrões de assimetria entre os hemisférios. Em vez disso, o risco para gagueira na infância estava associado a deficiências no volume da substância cinzenta, enquanto uma integridade reduzida da substância branca no sistema de fala do hemisfério esquerdo estava associada a gagueira persistente. Os aumentos anatômicos em estruturas do hemisfério direito descobertas anteriormente em adultos com gagueira persistente podem ser resultado da longa convivência com o distúrbio. Essas descobertas apontam para a importância de se levar em conta o papel da neuroplasticidade quando são estudadas formas persistentes de desordens do desenvolvimento em adultos.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIALTítulo: Fobia social e questionário de ansiedade: o problema das condições médicas prévias
Periódico: Psychological Reports 101 (3 Pt 1), 2007, p. 697-706
Autores: Klieger DM, Johnson HK
Filiação: Departamento de Psicologia, Universidade Villanova, EUA
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Resumo: O estudo investigou a possibilidade de aumento na pontuação no Questionário de Fobia Social e Ansiedade devido a condições médicas prévias. O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais estabelece uma regra excludente, impedindo o diagnóstico de fobia social quando o medo é devido a uma doença prévia. Um procedimento computadorizado, concebido para simular o questionário convencional, foi comparado com o original em um estudo-piloto, obtendo-se r = 0.94 entre os dois procedimentos. A análise indicou que achados médicos são comuns entre homens e mulheres universitários (N = 127, idade média = 19). Especificamente, 50% dos entrevistados relataram nenhuma ou apenas uma condição médica, enquanto aqueles que estavam no quarto quartil relataram 43 condições médicas em suas respostas. Os mais freqüentes auto-relatos de condições médicas prévias foram gagueira (2,8%), acne (2,4%), xerostomia (2,1%), obesidade (0.9%) e cicatrizes (0.9%). Diversas soluções possíveis são discutidas, considerando-se a conclusão geral de que há evidências importantes da influência de outras doenças neste questionário.